Como um Cp favorável pode resultar em Cpk desfavorável
Exemplo calculado mostra como a média deslocada faz Cp e Cpk indicarem condições diferentes diante dos limites de especificação.
Um Cp próximo de 1,4 pode coexistir com um Cpk próximo de 0,9 porque os dois índices respondem a perguntas diferentes. O Cp compara a faixa total de especificação com a dispersão do processo e pressupõe uma média centralizada. O Cpk incorpora a posição real da média e conserva o resultado do lado que está mais próximo de um limite, isto é, o lado com maior risco de resultados fora da especificação.[1, 2]
Dados do exemplo e posição da média
O exemplo utiliza limite inferior de especificação igual a 39, limite superior igual a 47, média do processo igual a 41,5 e desvio-padrão igual a 0,92. Com esses valores, o Cp é aproximadamente 1,4 e o Cpk é aproximadamente 0,9.[3]
A faixa completa entre os limites mede 8 unidades:
47 - 39 = 8
O ponto central dessa faixa é 43:
(39 + 47) / 2 = 43
A média observada, 41,5, está 1,5 unidade abaixo desse centro. Pela própria subtração, ela fica a 2,5 unidades do limite inferior e a 5,5 unidades do limite superior. Essa assimetria será ignorada pelo cálculo do Cp, mas aparecerá diretamente nas duas parcelas do Cpk.[1, 4]
Cálculo do Cp pela amplitude total
O Cp compara a amplitude total das especificações com seis desvios-padrão. Esse uso pressupõe que a média esteja centralizada entre os limites.[1]
A expressão aplicada ao exemplo é:
Cp = (limite superior - limite inferior) / (6 × desvio-padrão)
Substituindo os valores:
Cp = (47 - 39) / (6 × 0,92)
Primeiro, calcula-se a dispersão correspondente a seis desvios-padrão:
6 × 0,92 = 5,52
Depois, divide-se a amplitude de especificação por essa dispersão:
Cp = 8 / 5,52 = 1,449...
Arredondado para uma casa decimal, o resultado é 1,4, como indicado na fonte do exemplo.[3]
Esse número compara duas larguras: 8 unidades disponíveis entre os limites e 5,52 unidades correspondentes a seis desvios-padrão. Ele não contém a média 41,5 em sua fórmula. Por isso, o Cp descreve como a dispersão caberia na faixa de especificação sob a pressuposição de centralização, mas não revela em qual lado a média realmente está.[1]
Cálculo das duas parcelas do Cpk
O Cpk exige dois cálculos. Um mede a distância da média ao limite superior e o outro mede a distância da média ao limite inferior. Cada distância é dividida por três desvios-padrão, e o menor resultado é adotado como Cpk.[4]
O denominador comum é:
3 × 0,92 = 2,76
Para o lado do limite superior, usa-se o limite superior menos a média:
(47 - 41,5) / 2,76 = 5,5 / 2,76 = 1,992...
Essa parcela, aproximadamente 1,99, corresponde ao espaço existente entre a média 41,5 e o limite superior 47.[4]
Para o lado do limite inferior, usa-se a média menos o limite inferior:
(41,5 - 39) / 2,76 = 2,5 / 2,76 = 0,905...
Essa parcela, aproximadamente 0,91, corresponde ao espaço entre a média 41,5 e o limite inferior 39.[4]
Como o Cpk é o menor dos dois resultados:
Cpk = mínimo entre 1,99 e 0,91 = 0,91
Arredondado para uma casa decimal, o Cpk é 0,9.[3] O valor determinante é, portanto, a parcela associada ao limite inferior, porque 39 está mais próximo da média do que 47. O Cpk seleciona justamente a menor distância padronizada para representar o lado da distribuição com maior risco de produzir resultados além do limite.[2]
Por que as conclusões ficam diferentes
O Cp de aproximadamente 1,4 considera a largura total da especificação, mas sua interpretação pressupõe que a média esteja centralizada. Já o Cpk de aproximadamente 0,9 incorpora o deslocamento da média e mostra que o lado inferior dispõe de menos espaço antes do limite.[1, 3]
A diferença não decorre de uma mudança no desvio-padrão: o mesmo valor de 0,92 aparece nos dois cálculos. Ela surge porque o Cp usa apenas a amplitude total de 8 unidades, enquanto o Cpk separa essa amplitude em duas distâncias desiguais, 5,5 unidades até o limite superior e 2,5 unidades até o limite inferior.[1, 4]
Assim, afirmar que a dispersão caberia entre os limites pode ser enganoso quando a média está deslocada. Parte dos resultados pode ficar fora da especificação mesmo que o processo parecesse capaz sob a hipótese de centralização.[5] Neste exemplo, o ponto crítico é o lado inferior, identificado pela parcela de 0,91, e não o lado superior, cuja parcela é aproximadamente 1,99.[4]
O exemplo sustenta somente essa comparação entre Cp, Cpk, dispersão e posição da média. As fontes fornecidas não estabelecem aqui um critério numérico geral de aprovação nem permitem calcular uma proporção exata de resultados não conformes. O conteúdo mais amplo em que esse cálculo se insere está em conteúdo relacionado do curso.
Fontes consultadas
Obras e aulas usadas na redação deste guia. Os números no texto levam a elas.
- Felipe Tumenas. “[Capacidade] - Cpk”, tempo 00:00:01–00:01:59
- Felipe Tumenas. “[Capacidade] - Cpk”, tempo 00:03:37–00:05:20
- Felipe Tumenas. “[Capacidade] - Cpk”, tempo 00:07:22–00:09:27
- Felipe Tumenas. “[Capacidade] - Cpk”, tempo 00:05:22–00:07:20
- Felipe Tumenas. “[Capacidade] - Cpk”, tempo 00:09:29–00:10:38

