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Quando o mesmo indicador apresenta três resultados

Entenda quais definições e responsabilidades alinhar para reduzir divergências no cálculo e no uso do mesmo indicador entre áreas.

Faculdade PertoPublicado em 6 min de leitura

Quando três áreas apresentam resultados diferentes para o mesmo indicador, a primeira investigação deve comparar o significado adotado por cada uma. Cálculos independentes em planilhas podem fazer o mesmo conceito assumir valores divergentes entre setores[1]. Para reduzir essa inconsistência, as áreas precisam compartilhar pelo menos a fonte, a granularidade, a regra de cálculo, o responsável, o ativo tratado reutilizável e o estado de promoção do dado.

As fontes disponíveis sustentam esse recorte de governança, mas não definem um modelo organizacional único. Portanto, as decisões abaixo funcionam como um roteiro de alinhamento, não como uma solução pronta para qualquer empresa.

A divergência começa antes do resultado

Comparar apenas os números finais costuma ser insuficiente. Antes de perguntar qual resultado está correto, convém verificar se as áreas realmente calcularam a mesma coisa. Quando cada setor constrói seu próprio cálculo, o mesmo conceito pode produzir valores divergentes[1].

A comparação deve começar por cinco perguntas:

  1. Qual sistema ou tabela fornece os registros?
  2. Qual é a granularidade considerada?
  3. Qual regra transforma os registros no indicador?
  4. Quem responde pela definição e por suas alterações?
  5. O ativo utilizado é experimental ou foi promovido para uso em produção?

Essas perguntas separam divergências de significado de eventuais diferenças operacionais. Se uma área conta pedidos e outra conta clientes, por exemplo, ambas podem executar corretamente suas fórmulas e ainda assim responder a perguntas diferentes. Essa situação ilustra a necessidade de registrar a granularidade antes de comparar o resultado[1].

O contrato de significado do indicador

Cada indicador compartilhado pode ter um registro curto, legível e versionado. Esse registro deve explicar o que o número representa e quais decisões delimitam seu cálculo.

Fonte e granularidade

A fonte deve ser identificada pelo sistema, conjunto de dados ou tabela efetivamente utilizado. A indicação vaga de que o valor veio do banco ou do Power BI não permite verificar se duas áreas partiram dos mesmos registros.

A granularidade deve declarar o que cada linha representa antes da agregação, como uma venda, um item, um cliente ou um evento. Também deve indicar as dimensões de análise autorizadas, como período, unidade ou produto. Essas definições são especialmente importantes quando cálculos independentes podem gerar resultados divergentes[1].

Regra de cálculo

A regra precisa registrar numerador, denominador, filtros, exclusões, tratamento de duplicidades e período de referência. Também deve esclarecer como valores ausentes e cancelamentos entram no cálculo. Esses itens são decisões que a organização precisa estabelecer explicitamente, pois a fonte fornecida demonstra o problema da independência entre cálculos, mas não oferece uma fórmula universal[1].

Considere um único exemplo hipotético: três áreas calculam clientes ativos. A primeira conta clientes com compra no mês; a segunda conta clientes com contrato vigente no último dia; a terceira conta clientes com qualquer acesso nos últimos 30 dias. Os três valores podem ser internamente coerentes, mas não representam a mesma definição. O alinhamento exige escolher ou nomear separadamente cada indicador, em vez de tentar conciliar somente os totais.

Responsabilidade não deve ficar implícita

Projetos de BI podem reunir competências diferentes. A engenharia pode preparar os dados, a análise pode modelar as informações e usuários de negócio podem elaborar relatórios e painéis com base nos modelos disponíveis[2]. Essa divisão de competências não determina, por si só, quem pode alterar o significado de um indicador.

Uma distribuição prática de responsabilidades deve identificar:

  • quem responde pela definição de negócio;
  • quem mantém a preparação e a qualidade técnica dos dados;
  • quem aprova mudanças na fórmula ou no escopo;
  • quem comunica a alteração aos relatórios consumidores;
  • quem verifica se os usos posteriores permanecem compatíveis.

O responsável pelo significado não precisa executar todas as tarefas técnicas. Seu papel é impedir que uma alteração relevante seja tratada como escolha local e silenciosa. Já os responsáveis técnicos devem conseguir indicar a origem, a transformação e os consumidores do dado. Essa separação aproveita as competências distintas descritas para projetos de BI[2].

Reutilizar o dado tratado reduz cálculos paralelos

Um fluxo de dados pode centralizar tabelas tratadas e atualizadas para reutilização por vários relatórios[3]. Nesse arranjo, a fonte original recebe uma carga centralizada, em vez de ser consultada separadamente durante a atualização de cada relatório[3].

A reutilização, contudo, precisa abranger também o significado. Disponibilizar uma tabela comum sem documentar granularidade, filtros e finalidade ainda permite que cada relatório reconstrua o indicador de maneira própria. Por isso, o ativo tratado deve ser acompanhado pelo contrato do indicador e por uma identificação dos campos que podem ser reutilizados diretamente.

Antes de criar uma nova tabela ou medida, a equipe pode verificar se já existe um ativo tratado adequado. Se ele existir, a decisão deve ser reutilizá-lo ou registrar por que a nova necessidade exige outra definição. Assim, diferenças deliberadas permanecem visíveis, enquanto duplicações acidentais podem ser reduzidas.

Esse tema complementa a dimensão de comunicação e governança apresentada no conteúdo relacionado do curso, sem pressupor que uma ferramenta resolva sozinha as responsabilidades organizacionais.

Ativo de teste não é fonte promovida

A promoção de um conjunto de dados ajuda os usuários a distinguir ativos de teste das fontes destinadas à produção[4]. Essa distinção deve aparecer no nome, na descrição ou no mecanismo de certificação adotado, de modo que um relatório experimental não seja confundido com a referência compartilhada.

O estado promovido também não elimina a necessidade de registrar a atualização. Na configuração de atualização incremental, devem ser definidos os períodos de armazenamento e renovação dos dados; a política ainda pode detectar alterações ou restringir a atualização a dias completos[4]. Essas opções mostram que a cobertura temporal e a renovação fazem parte da configuração do ativo, mas a fonte não autoriza presumir que uma política específica seja adequada a todos os indicadores.

Para interpretar e reutilizar um indicador de forma consistente, o registro final deve reunir: definição de negócio, fonte, granularidade, fórmula, filtros, período, responsáveis, tabela tratada reutilizável, política de atualização aplicável e estado de teste ou produção. Se algum desses elementos não puder ser confirmado, o limite deve ser declarado, em vez de apresentar o número como equivalente ao utilizado pelas demais áreas.

Fontes consultadas

Obras e aulas usadas na redação deste guia. Os números no texto levam a elas.

  1. [Power Bi] Como trabalhar com governança no Power BI, Túlio Melibeu, tempo 00:06:53–00:07:09
  2. [Power Bi] Como trabalhar com governança no Power BI, Túlio Melibeu, tempo 00:04:45–00:05:52
  3. Fluxo de Dados no Power BI - (Data Flow) | Conheça o Power Query Online, Gerson Viergutz, tempo 00:08:26–00:09:28
  4. Microsoft Power BI For Dummies, Jack A. Hyman, cap. 24

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