Faculdade Perto

Por que apresentar a solução cedo demais pode afastar o público

Análise de quando explicar o problema antes da oferta torna a mensagem relevante para quem ainda não compreende plenamente a causa. [S038]

Faculdade PertoPublicado em 6 min de leitura

Uma oferta pode não funcionar quando responde a uma pergunta que o público ainda não sabe formular. Se a pessoa percebe apenas um incômodo, mas não entende sua causa nem sabe qual tipo de solução procurar, a comunicação precisa primeiro ajudá-la a reconhecer e compreender o problema. Somente depois dessa preparação a apresentação de produto, benefício comercial e chamada para ação ganha contexto.[1]

Isso não significa ocultar indefinidamente a solução. Significa organizar a mensagem de acordo com aquilo que o público já consegue compreender. A abertura deve conquistar atenção por meio de relevância, enquanto a oferta deve aparecer quando houver entendimento suficiente para que ela faça sentido.[1, 2]

O descompasso entre a oferta e a consciência do público

A fonte descreve como público inconsciente aquele que percebe um problema, mas ainda não compreende sua causa nem sabe qual tratamento, produto ou solução procurar. Nesse estágio, começar diretamente pela oferta antecipa uma resposta sem construir o significado da pergunta.[1]

Essa antecipação pode produzir um descompasso: a mensagem fala de características, vantagens ou condições de uma solução, enquanto a pessoa ainda tenta interpretar o próprio incômodo. A necessidade de explicar o problema antes da oferta decorre exatamente dessa distância entre o conhecimento disponível ao comunicador e o conhecimento presente no público.[1, 3]

O ponto decisivo, portanto, não é apenas saber se existe um problema. É distinguir entre perceber um efeito e compreender o que ele significa. A fonte permite afirmar que a simples percepção do incômodo não implica conhecimento de sua causa ou das soluções possíveis.[1]

O conhecimento do vendedor não substitui o do consumidor

Quem fabrica ou comercializa uma solução pode conhecer profundamente sua produção e distribuição. Esse domínio, porém, não substitui a compreensão dos interesses e desejos do consumidor. Planejar a mensagem para agradar ao vendedor, sem considerar o comprador, é apontado como uma causa recorrente de fracasso publicitário.[3]

Uma comunicação centrada no produto tende a refletir a ordem mental de quem já conhece o problema, as alternativas e a oferta. O público descrito pela fonte ainda não percorreu esse caminho. Por isso, a ordem mais coerente começa no ponto em que a pessoa está: o incômodo percebido. Em seguida, esclarece o problema e sua causa, situa a existência de soluções e, então, apresenta a oferta correspondente.[1, 3]

Essa sequência não exige transformar a abertura em uma explicação extensa. Ela exige apenas que o primeiro conteúdo responda à necessidade de compreensão existente naquele estágio, em vez de pressupor conhecimentos que a pessoa ainda não possui.[1]

O que saber antes de escolher a abertura da mensagem: infográfico ilustrado do curso Marketing Digital
Infográfico: O que saber antes de escolher a abertura da mensagem · material do curso de Marketing Digital

Atenção inicial depende de relevância percebida

As pessoas selecionam rapidamente o que merece atenção e ignoram anúncios que não parecem relevantes. Por isso, o título ou a imagem inicial deve indicar para qual público a mensagem se destina e qual benefício pode justificar a leitura.[2]

Esse benefício inicial não precisa ser a promessa completa do produto. No contexto de um público que ainda desconhece a causa do problema, o valor da abertura pode estar em ajudá-lo a interpretar uma situação que já percebe. Essa leitura combina a necessidade de reconhecimento e compreensão do problema com a exigência de relevância na conquista da atenção.[1, 2]

A mensagem inicial, assim, cumpre duas funções complementares: permite que a pessoa se reconheça como destinatária e oferece uma razão compreensível para continuar. A explicação da solução vem depois que essa ponte de relevância foi estabelecida.[1, 2]

Como decidir a ordem da mensagem

A decisão pode ser orientada por perguntas editoriais derivadas das fontes, sem tratá-las como um instrumento universal de diagnóstico.[1, 2, 3]

  1. O público consegue nomear apenas o incômodo? Se ele percebe a dificuldade, mas não compreende sua causa nem sabe o que procurar, a situação corresponde ao estágio descrito em[1].
  1. A abertura pressupõe conhecimento da solução? Se as primeiras linhas começam por produto, funcionamento ou oferta, vale verificar se esses elementos exigem uma compreensão que o público ainda não possui. Essa verificação segue a orientação de explicar o problema antes de apresentar a oferta.[1]
  1. O título ou a imagem identifica o destinatário? A abertura deve tornar claro para quem a mensagem foi feita e indicar um benefício capaz de justificar a leitura.[2]
  1. A mensagem segue a perspectiva do comprador? Conhecimento interno sobre fabricação e distribuição não basta para compreender o consumidor. A revisão deve considerar interesses e desejos do comprador, não apenas aquilo que o vendedor gostaria de destacar.[3]
  1. A solução aparece depois de uma explicação suficiente? Para o público descrito, a oferta deve ser precedida pelo reconhecimento e pelo entendimento do problema.[1]

Essas perguntas organizam a comunicação, mas não estabelecem um número obrigatório de frases ou etapas. As fontes fornecidas sustentam a sequência conceitual, não uma extensão fixa para cada parte da mensagem.[1, 2, 3]

Pegadas da jornada não são prova de causa: infográfico ilustrado do curso Marketing Digital
Infográfico: Pegadas da jornada não são prova de causa · material do curso de Marketing Digital

Exemplo compacto de reorganização

Considere, como hipótese, uma pessoa que nota baixo retorno em determinada atividade de divulgação, mas não entende a causa nem conhece as soluções disponíveis. Uma abertura centrada imediatamente em planos, recursos e preço de uma ferramenta exigiria conhecimentos que essa pessoa talvez ainda não tenha.[1]

A mensagem poderia começar delimitando o incômodo e explicando a causa pertinente, desde que essa explicação estivesse sustentada por evidência própria. Depois, apresentaria as categorias de solução e situaria o produto. O título ou a imagem identificaria o público e o benefício da leitura, preservando a relevância inicial.[1, 2]

O exemplo demonstra apenas a aplicação da ordem descrita pelas fontes. Ele não prova aumento de conversão nem permite prever o desempenho de uma campanha específica, pois as referências fornecidas não apresentam comparação quantitativa de resultados.[1, 2, 3]

Alcance e limite da análise

As fontes permitem sustentar três decisões: explicar o problema antes da oferta quando o público ainda desconhece causa e solução; planejar a mensagem a partir do consumidor; e tornar título ou imagem inicialmente relevantes para o destinatário.[1, 2, 3]

Elas não oferecem métricas para identificar automaticamente o estágio de cada pessoa, definir o momento exato da transição para a oferta ou atribuir o fracasso de uma comunicação a uma única causa. Por isso, esta análise se limita à ordem da mensagem no cenário descrito.[1, 2, 3]

Como referência contextual para o estudo mais amplo de público, persona e construção de mensagens: conteúdo relacionado do curso.

Fontes consultadas

Obras e aulas usadas na redação deste guia. Os números no texto levam a elas.

  1. Funil de Tráfego Pago : Guia Completo Para Iniciantes, Mateus Dias, tempo 00:06:47–00:07:26
  2. Scientific Advertising, Hopkins, Claude C, capítulo 7
  3. Scientific Advertising, Hopkins, Claude C, capítulo 4

Continue lendo