Faculdade Perto

Fluxo de sinais e arquitetura de controle: diferenças

Diferença entre o percurso dos sinais por sensores, controlador e saídas e a coordenação de múltiplas variáveis no controle. [S069][S070]

Faculdade PertoPublicado em 5 min de leitura

Fluxo de sinais e arquitetura de controle respondem a perguntas diferentes. O fluxo identifica o percurso funcional entre a captação de informações, seu processamento e as saídas do sistema. A arquitetura define como múltiplas variáveis e malhas serão organizadas e coordenadas conforme as necessidades do processo.[1, 2]

Identificar sensores, controlador e atuadores, portanto, não determina sozinho se o processo deve empregar malhas independentes ou alguma forma de coordenação conjunta. Essa conclusão é uma inferência direta da diferença entre os papéis funcionais apresentados para entradas e controle e a necessidade de selecionar estratégias em processos com múltiplas entradas e saídas.[1, 2]

O fluxo de sinais localiza funções

No percurso básico, sensores captam informações da planta e as enviam ao controle. A analogia apresentada pela fonte compara os sensores aos sentidos do corpo humano e o processamento das informações ao cérebro.[1]

Essa descrição permite localizar duas funções sem confundi-las: captar uma informação é função de entrada, enquanto processá-la pertence ao controle. A fonte adverte especificamente que as funções de entradas e saídas não devem ser invertidas.[1]

Para completar o percurso de forma cautelosa, os atuadores podem ser situados no lado das saídas por inferência do contraste entre entradas, saídas, sensores e atuadores presente nas fontes. Elas mencionam tanto a separação entre entradas e saídas quanto o estado instantâneo de sensores e atuadores, mas não fornecem uma classificação detalhada de tipos de atuador.[1, 3]

O fluxo pode ser resumido assim: sensores fornecem entradas ao controle, o controlador processa essas informações segundo sua lógica e as saídas se relacionam à atuação sobre a planta. A primeira parte está declarada diretamente na fonte; a associação final é uma leitura funcional limitada pelo conjunto de evidências disponível.[1, 3]

O processamento depende da lógica implementada

No exemplo de CLP fornecido, as entradas e saídas são do tipo Sink, e os respectivos terminais comuns recebem 0 V de uma alimentação de 24 Vcc. Nesse equipamento apresentado, a lógica de controle é construída no software como um diagrama Ladder, com contatos e bobinas dispostos entre duas barras verticais.[4]

Esses detalhes mostram onde ocorre o processamento naquele exemplo, mas não definem por si mesmos a arquitetura de controle de qualquer processo industrial. A fonte descreve uma configuração específica de CLP e sua representação em Ladder, sem estabelecer uma regra universal para a coordenação de sistemas multivariáveis.[4]

Assim, saber que uma lógica está no controlador responde à pergunta sobre a camada de processamento. Não responde automaticamente quantas malhas existirão, como suas interações serão tratadas ou qual estrutura será escolhida para o processo. A necessidade de uma escolha adicional aparece nas fontes sobre seleção de estruturas e controle multivariável.[2]

E ou OU? Do requisito aos caminhos Ladder: infográfico ilustrado do curso Automação Industrial
Infográfico: E ou OU? Do requisito aos caminhos Ladder · material do curso de Automação Industrial

O nível de gestão não substitui o controle instantâneo

Os computadores do nível de gestão recebem informações da planta com algum atraso e, em geral, não controlam diretamente o estado instantâneo de sensores e atuadores. Esse nível consolida dados de produção, problemas, matéria-prima e vendas para apoiar decisões estratégicas da empresa.[3]

Por isso, incluir o nível de gestão no mapa do sistema amplia o percurso das informações, mas não o transforma automaticamente na camada responsável pelo controle imediato. A distinção entre consolidação gerencial e estado instantâneo está expressa na própria delimitação apresentada pela fonte.[3]

A arquitetura escolhe como coordenar variáveis

A questão arquitetural torna-se relevante quando um processo possui múltiplas entradas e saídas. Processos industriais de síntese e separação normalmente apresentam essa característica, e seu controle multivariável permanece complexo mesmo quando são utilizadas malhas independentes.[2]

Nesse contexto, multimalha pode ser entendido aqui apenas como o uso de várias malhas no mesmo processo. Controle centralizado, por sua vez, é usado neste artigo como um rótulo operacional para uma escolha de coordenação conjunta das variáveis, não como uma estrutura detalhada ou prescrita pelas fontes.

A evidência disponível não oferece um método completo para decidir entre essas alternativas. Ela estabelece que a estratégia deve acompanhar as necessidades intrínsecas do processo e que a indústria de processos combina estruturas clássicas com controle adaptativo, ótimo, preditivo, fuzzy e baseado em modelo interno.[2]

Logo, a existência de muitas entradas e saídas não autoriza concluir automaticamente que uma solução centralizada seja necessária. As fontes sustentam a complexidade multivariável e a seleção conforme o processo, mas não fornecem critérios suficientes para prescrever uma arquitetura específica.[2]

Antes da sequência: leia o estado inicial: infográfico ilustrado do curso Automação Industrial
Infográfico: Antes da sequência: leia o estado inicial · material do curso de Automação Industrial

Um exemplo compacto de leitura

Considere, apenas como esquema, um processo de separação com várias medições e vários comandos, situação compatível com a caracterização de processos industriais de separação como sistemas de múltiplas entradas e saídas.[2]

Pela perspectiva do fluxo, a análise pergunta quais sensores captam informações, onde essas informações são processadas e quais saídas se relacionam à atuação. Pela perspectiva arquitetural, pergunta-se se várias malhas independentes são suficientes ou se as interações entre variáveis exigem uma coordenação conjunta. A primeira leitura deriva da separação funcional entre entradas, controle e saídas; a segunda deriva da complexidade que pode persistir mesmo com malhas independentes.[1, 2]

O exemplo não permite escolher uma arquitetura real, pois as fontes não apresentam as variáveis, interações, objetivos ou restrições de um processo específico. Ele serve somente para mostrar que mapear o percurso dos sinais e decidir a coordenação do controle são etapas conceitualmente distintas.[2]

A distinção em uma frase

Fluxo de sinais indica onde cada função aparece no percurso entre planta e controle. Arquitetura de controle determina como as várias relações de controle serão organizadas diante das características e necessidades do processo.[1, 2]

Essa distinção ajuda a separar a leitura das camadas do sistema da escolha entre múltiplas malhas e coordenação conjunta. As fontes, porém, não oferecem dados suficientes para selecionar uma solução concreta, dimensionar um controlador ou prescrever uma estrutura para uma instalação real.[2, 4]

A relação conceitual com os demais mecanismos de automação está registrada no conteúdo relacionado do curso, sem substituir a trilha formativa.

Fontes consultadas

Obras e aulas usadas na redação deste guia. Os números no texto levam a elas.

  1. 1 - Automação industrial, LAD - Laboratório de Automação e Desenvolvimento, tempo 00:13:46–00:14:54
  2. De Gruyter Textbook Advanced Process Engineering Control 2nd, Revised and Extended Edition DOI: 10.1515/9783110789737, Paul Serban Agachi; Mircea Vasile Cristea; Ale
  3. 1 - Automação industrial, LAD - Laboratório de Automação e Desenvolvimento, tempo 00:09:15–00:10:18
  4. Exercícios Básicos em Ladder - Parte 01 | Automação Industrial, FM4 Automation & Energy, tempo 00:01:38–00:02:21

Continue lendo